Dois elétricos premium rodaram até 115 km abaixo da autonomia oficial num teste britânico; no Brasil, o Inmetro desconta isso antes da venda

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Guga Moraes - Editor Chefe

BMW iX3 e Mercedes CLA prometem 805 km e 779 km (500 e 484 milhas) no ciclo europeu WLTP, mas rodaram 690 km e 698 km num teste real de estrada. No Brasil, a etiqueta do Inmetro já parte do pior cenário — e o carro do vídeo está em homologação por aqui agora.

Um vídeo publicado pelo Autotrader em 7 de junho colocou dois dos elétricos de maior autonomia à venda no Reino Unido para fazer uma coisa simples: sair de Northampton, na Inglaterra, e tentar chegar a Glen Coe, nas Terras Altas da Escócia, a cerca de 724 km (450 milhas), com uma única carga. O BMW iX3 50 xDrive parte de uma autonomia oficial de até 805 km (500 milhas). O Mercedes CLA 250+ da versão testada, de 779 km (484 milhas). Os dois números vêm do ciclo europeu WLTP, o padrão usado para homologar esses carros na Europa.

Nenhum dos dois chegou. O iX3 parou com a bateria zerada em 690 km (429 milhas). O CLA aguentou um pouco mais, 698 km (434 milhas). A diferença entre o que a etiqueta europeia promete e o que os carros entregaram, rodando de forma econômica e a velocidades baixas, foi de cerca de 115 km no BMW e 81 km no Mercedes. Não é defeito dos carros, e os apresentadores deixam isso claro: dirigiram boa parte do trajeto para economizar, a 88 a 97 km/h, com o aquecimento desligado no fim para esticar o que sobrava. Mesmo assim, o número oficial ficou para trás.

Esse desencontro entre autonomia de etiqueta e autonomia de estrada é a regra, não a exceção. E é exatamente o problema que o Inmetro decidiu atacar de frente no Brasil — antes de o carro chegar à concessionária. Por aqui, o número que vai parar na etiqueta de um elétrico já sai descontado. O motivo de isso importar fica mais claro quando se entende que a mesma autonomia pode ser medida de pelo menos quatro maneiras diferentes, e que cada uma entrega um número distinto para o mesmo carro.

As quatro siglas que medem a mesma coisa — e nunca dão o mesmo número

Quando uma marca anuncia a autonomia de um elétrico, o número sempre vem acompanhado de uma sigla: WLTP, EPA, CLTC ou Inmetro. Elas não são detalhes técnicos para engenheiro. São protocolos de teste diferentes, com severidades diferentes, e a sigla determina quão otimista é o número que aparece no anúncio.

CLTC é o ciclo chinês. É o mais recente e o mais brando dos quatro: roda em laboratório, com velocidades baixas e muito tempo simulando trânsito urbano lento, cenário em que o elétrico é mais eficiente. É o número que mais favorece o fabricante — e o que mais aparece no marketing das marcas chinesas, justamente porque é o maior.

WLTP é o ciclo europeu atual, que substituiu o antigo NEDC por ser mais severo. É o padrão das fichas de BMW, Mercedes e da maioria dos importados premium. Foi o WLTP que prometeu os 805 km do iX3 e os 779 km do CLA no teste britânico.

EPA é o ciclo norte-americano. Inclui trechos de rodovia em velocidade mais alta e penaliza mais o consumo, o que costuma resultar em números abaixo do WLTP para o mesmo carro.

Inmetro, por meio do PBEV (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular), é o protocolo brasileiro. E é o mais conservador dos quatro — por uma decisão deliberada, não por acaso.

CicloOrigemComo medeTendência do número
CLTCChinalaboratório, velocidades baixas, foco em trânsito urbanoo mais otimista dos atuais ¹
WLTPEuropasucessor do NEDC, mais severo que o antecessorintermediário ¹
EPAEstados Unidosinclui rodovia e penaliza mais o consumoconservador ¹
Inmetro (PBEV)Brasilbase SAE/EPA com redutor fixo de 30%o mais conservador ¹

¹ Caracterização conforme CNN Brasil, Canaltech e Doutor-IE, consultados em jun/2026. O NEDC, antigo ciclo europeu, está em desuso e não consta da tabela.

Como o Inmetro chega ao número: o redutor de 30% e a lógica do pior cenário

A metodologia de ensaio do PBEV é baseada na norma da SAE (a associação de engenheiros automotivos dos Estados Unidos), e os dados de eficiência dos elétricos seguem a mesma referência usada pela EPA norte-americana. Até aí, é parecido com o que se faz fora. A diferença está no passo seguinte: o Inmetro aplica um fator de correção fixo de 0,7 sobre o resultado obtido em laboratório. Na prática, corta 30% do número.

A lógica declarada pelo órgão é entregar a autonomia no pior cenário plausível de uso — trânsito pesado, subidas, ar-condicionado e demais sistemas elétricos ligados no máximo. A ideia é que o consumidor encontre, na etiqueta, um piso confiável, e não um teto difícil de alcançar. Foi uma mudança de postura adotada em 2023: antes, cada montadora divulgava o ciclo que lhe fosse mais conveniente, em geral o WLTP ou o próprio CLTC, e os números variavam conforme a conveniência comercial. Desde então, o valor que vale para a venda no Brasil é o do PBEV.

O programa é, no papel, de adesão voluntária. Na prática, é universal: a tabela do PBEV divulgada em novembro de 2025 reúne 41 marcas e 895 modelos e versões, dos quais 174 são elétricos, com participação de todos os fabricantes e importadores de veículos leves. Uma versão atualizada para o ano-modelo 2026 já foi publicada pelo Inmetro em abril de 2026. Quem vende elétrico no Brasil passa pelo PBEV.

O mesmo iX3 muda de autonomia conforme quem mede

O BMW iX3 do vídeo serve de demonstração do problema dentro de um único carro. A própria BMW publica 805 km de autonomia WLTP para a versão 50 xDrive, com bateria de 108 kWh. Para o mercado americano, a marca projeta uma autonomia EPA na casa dos 640 km (cerca de 400 milhas) — bem abaixo do número europeu, para o mesmo carro, com a mesma bateria. No teste real do Autotrader, dirigido com cuidado, o iX3 fez 690 km, mais perto da estimativa americana, a mais dura, do que da europeia que está na ficha de venda na Europa.

É o mesmo veículo. O que muda é o protocolo que produziu o número. E é por isso que comparar a autonomia de dois elétricos sem checar a sigla de cada um é comparar coisas diferentes.

BYD Dolphin Mini: 405 km na China, 280 km no Brasil, os dois pela mesma marca

O exemplo mais limpo dessa diferença não está num carro europeu de R$ 500 mil. Está no elétrico mais popular do Brasil. A BYD divulga, para o Dolphin Mini, autonomia de 405 km no ciclo chinês CLTC e de 280 km pelos padrões do Inmetro. Os dois números são da própria montadora, publicados em seus canais oficiais. A diferença entre eles é de cerca de 31% — quase exatamente o desconto de 30% que o PBEV aplica.

Quem só vê o CLTC imagina um carro que roda 405 km por carga. Quem lê a etiqueta brasileira encontra 280 km. É o mesmo hatch, com a mesma bateria de 38 kWh. A sigla é que separa um número do outro.

ModeloNúmero e fonteAutonomia
BMW iX3 50 xDriveWLTP, oficial BMWaté 805 km (500 mi) ¹
BMW iX3 50 xDriveresultado no teste Autotrader690 km (429 mi) ²
Mercedes CLA 250+WLTP, versão testada779 km (484 mi) ³
Mercedes CLA 250+resultado no teste Autotrader698 km (434 mi) ²
BYD Dolphin MiniCLTC, declarado pela BYD405 km ⁴
BYD Dolphin MiniInmetro/PBEV, declarado pela BYD280 km ⁴

¹ BMW Group, release oficial do iX3 50 xDrive (autonomia WLTP de até 805 km). ² Resultado obtido no teste do Autotrader, vídeo publicado em 7/jun/2026. ³ Mercedes-Benz e ficha da versão testada (484 milhas WLTP, via Electrifying). ⁴ BYD Brasil, página oficial do Dolphin Mini (405 km CLTC e 280 km Inmetro).

Valores em milhas são os originais de catálogo e do teste; conversões para quilômetros deste editor (fator 1,609, arredondadas). Números oficiais são de catálogo; os de teste foram obtidos em condução econômica.

Onde o número conservador protege — e onde ele pode enganar ao contrário

A regra do Inmetro tem um efeito claro de proteção: ela impede que o consumidor brasileiro compre na expectativa de uma autonomia chinesa de catálogo e descubra na primeira viagem que o carro não chega nem perto. O número da etiqueta tende a ser cumprido, e com folga, na maioria dos usos urbanos. Testes independentes do Dolphin Mini em condições brasileiras apontam autonomia real entre 300 e 340 km na cidade, acima dos 280 km da etiqueta — o oposto da decepção que o motorista britânico do vídeo levou.

Mas o redutor fixo de 30% é um instrumento contundente, e vale reconhecer o outro lado. Por ser um corte linear, aplicado igual a todos os modelos, ele não distingue o carro genuinamente eficiente daquele que apenas tinha um número de laboratório inflado. Um elétrico bem projetado, leve e aerodinâmico, pode superar com sobra a própria etiqueta — e fica, no papel, com um número que o subestima. Para o consumidor, isso é um erro na direção segura: melhor ser surpreendido para cima. Para quem compara modelos pela ficha, porém, significa que a etiqueta do Inmetro mede o piso de cada carro, não a sua eficiência relativa. Dois elétricos com a mesma autonomia PBEV podem se comportar de forma bem diferente na estrada.

O número do Inmetro é uma garantia mínima honesta, não um ranking de eficiência nem uma promessa de teto.

O que muda quando uma marca anuncia CLTC no Brasil

A consequência prática aparece na hora de ler um anúncio. Com a chegada acelerada de marcas chinesas ao país, é comum encontrar material de divulgação, importador ou conteúdo de revenda citando a autonomia no ciclo CLTC — o número maior. Quando isso acontece, o valor que vale para a compra continua sendo o do Inmetro, mais baixo, que estará na etiqueta e na tabela do PBEV.

A conversão aproximada ajuda a calibrar a expectativa: um número CLTC tende a encolher na faixa de 30% quando passa para o padrão brasileiro. Um elétrico anunciado com 500 km CLTC deve aparecer, na etiqueta do Inmetro, em algo próximo de 340 a 360 km. Não é regra exata — depende do modelo e da bateria —, mas serve de referência para não tomar o número de marketing pelo número real.

Vale para o caso que abriu esta matéria. O BMW iX3 do vídeo está confirmado para o Brasil em 2026 e já roda por aqui, camuflado, em fase final de homologação, com preço que deve passar de R$ 500 mil. Os 805 km WLTP que a marca anuncia na Europa não são o número que vai à etiqueta brasileira. Quando o iX3 passar pelo PBEV, vai receber uma autonomia Inmetro — e ela será menor. O carro do teste britânico vai ganhar, no Brasil, exatamente o tratamento que esta matéria descreve.

Qual número usar para planejar a viagem

Para o uso urbano, o número do Inmetro é uma base segura: na maioria dos casos, o carro entrega aquilo e um pouco mais. Para quem encara estrada com frequência, em velocidade de rodovia e com ar-condicionado ligado, faz sentido planejar com uma margem abaixo até da etiqueta brasileira — a alta velocidade é o cenário que mais derruba a autonomia de qualquer elétrico, como o próprio teste do Autotrader mostrou. E para comparar modelos, a regra é simples: olhar a mesma sigla nos dois. CLTC com CLTC, Inmetro com Inmetro. Comparar o CLTC de um com o Inmetro de outro é dar vantagem artificial ao primeiro.

O motorista britânico do vídeo terminou no escuro, à beira da estrada, com a bateria zerada e a autonomia oficial ainda na cabeça. No Brasil, a etiqueta que ele teria lido antes de comprar já traria um número mais perto da realidade.


Carango Responde

1. Por que a autonomia do meu carro elétrico no Brasil é menor que a anunciada lá fora?

Porque o Brasil usa o protocolo do Inmetro (PBEV), que aplica um desconto de 30% sobre o resultado de laboratório para refletir o pior cenário de uso. O mesmo carro que marca cerca de 800 km no ciclo europeu WLTP, e um número ainda maior no ciclo chinês CLTC, aparece com um valor bem menor na etiqueta brasileira. Não é o carro que mudou — é a forma de medir.

2. O que significam WLTP, CLTC, EPA e Inmetro?

São ciclos de teste de autonomia. CLTC é o chinês, o mais otimista. WLTP é o europeu, intermediário. EPA é o americano, mais conservador. Inmetro/PBEV é o brasileiro, o mais conservador de todos por aplicar um redutor fixo de 30%.

3. O número do Inmetro é confiável?

Como piso, sim. Ele é calculado para o pior cenário, então o carro tende a cumprir e até superar esse valor em uso urbano. O que ele não é: um indicador fino de eficiência entre modelos, porque o corte de 30% é linear e igual para todos.

4. Se eu vir um carro anunciado com 500 km CLTC, quanto esperar na prática no Brasil?

Como referência, algo na faixa de 340 a 360 km na etiqueta do Inmetro. A conversão não é exata e varia por modelo, mas serve para não confundir o número de marketing com o número real.

5. O BMW iX3 e o Mercedes CLA do vídeo vêm para o Brasil?

O iX3 está confirmado para 2026 e já passa pela homologação brasileira, com preço estimado acima de R$ 500 mil. Quando entrar à venda, terá uma autonomia Inmetro abaixo dos 805 km WLTP europeus. A versão elétrica do CLA não tem chegada ao Brasil confirmada até a publicação desta matéria.

6. Por que a autonomia cai tanto na estrada?

Velocidade alta é o que mais consome energia num elétrico. Em cidade, a frenagem regenerativa recupera carga e o motor gasta pouco para manter baixas velocidades. Em rodovia a 110 km/h ou mais, o consumo dispara e a autonomia real fica bem abaixo de qualquer ciclo de teste.


Glossário

BEV (Battery Electric Vehicle): veículo 100% elétrico, movido exclusivamente por bateria, sem motor a combustão.

kWh (quilowatt-hora): unidade de energia. Em um elétrico, indica a capacidade da bateria — quanta energia ela armazena. Quanto maior, mais autonomia, em geral.

Ciclo de condução: procedimento padronizado de teste que simula condições de uso para medir consumo e autonomia. Cada país ou bloco adota o seu.

CLTC (China Light-duty Vehicle Test Cycle): ciclo chinês de medição de autonomia. O mais brando dos atuais, tende a produzir os maiores números.

WLTP (Worldwide Harmonised Light Vehicles Test Procedure): ciclo europeu atual, mais severo que o antigo NEDC. Padrão das fichas de marcas europeias.

EPA (Environmental Protection Agency): agência ambiental dos Estados Unidos; o ciclo americano costuma gerar números mais conservadores que o WLTP.

PBEV (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular): programa do Inmetro que mede e padroniza consumo, autonomia e emissões dos veículos vendidos no Brasil. Aplica redutor de 30% sobre o resultado de laboratório para a autonomia de elétricos.


Notas técnicas

As conversões entre milhas e quilômetros são deste editor, com fator de 1,609 e arredondamento; os valores em milhas dos carros europeus são os originais das fichas e do teste citado.

As autonomias oficiais citadas correspondem às versões específicas mencionadas: BMW iX3 50 xDrive e Mercedes CLA 250+ na configuração testada pelo Autotrader. Especificações e autonomia podem variar entre versões e mercados.

Os resultados de estrada (690 km para o iX3 e 698 km para o CLA) são os obtidos no teste publicado pelo Autotrader, em condições específicas de condução econômica, e não foram reproduzidos de forma independente por esta publicação.

Autonomias do Inmetro/PBEV referem-se à tabela vigente em junho de 2026. O programa é coordenado pelo Inmetro em parceria com o Ministério de Minas e Energia e o Ibama.

Como apuramos

Esta matéria foi construída a partir de fontes públicas, consultadas em 7 de junho de 2026.

Fontes primárias oficiais: site oficial do Inmetro (tabelas e notas do PBEV 2025 e 2026); site oficial da BYD Brasil (autonomia do Dolphin Mini); release oficial da BMW Group (ficha do iX3 50 xDrive); material oficial da Mercedes-Benz (ficha do CLA 250+).

Fontes secundárias jornalísticas: CNN Brasil, Canaltech, Motor Show, Auto Show, Auto+ TV, Electrek, Autocar, Electrifying e a cobertura do teste de estrada Edmunds (via DriverReviews), além do vídeo do Autotrader que motivou a pauta.

Fontes terciárias: fichas de bancos de dados e blogs de revenda foram usados apenas para referência cruzada, não como base de número publicado.

A metodologia do redutor de 30% do PBEV é descrita de forma consistente pelas fontes consultadas; a interação exata entre esse fator e as correções internas do ciclo-base (SAE/EPA) não é detalhada de forma uniforme pelas fontes públicas, e por isso a matéria se limita ao mecanismo confirmado: a aplicação de um fator de 0,7 sobre o resultado de laboratório.

Limitações desta matéria

Não foi possível confirmar de forma independente: os resultados de autonomia do teste do Autotrader, que são reproduzidos conforme o vídeo; a chegada da versão elétrica do Mercedes CLA ao Brasil; e a autonomia Inmetro futura do BMW iX3, ainda em homologação na data da publicação.

Fontes

  • Inmetro — Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), tabela 2025 (divulgada em 24/nov/2025) e atualização para 2026, consultadas em jun/2026.
  • BYD Brasil — página oficial do Dolphin Mini (autonomia CLTC e Inmetro), consultada em jun/2026.
  • BMW Group — release oficial do novo iX3 (autonomia WLTP de até 805 km), consultado em jun/2026.
  • Mercedes-Benz — ficha do CLA 250+ (autonomia WLTP de até 792 km), consultada em jun/2026.
  • Autotrader — vídeo “500-mile Range Test: BMW iX3 Vs Mercedes CLA”, publicado em 7/jun/2026.
  • CNN Brasil — “Inmetro, WLTP e EPA: entenda as métricas de autonomia dos elétricos”; e “BMW iX3 chega em 2026 no Brasil”.
  • Canaltech — “Carros elétricos: Inmetro agora exige autonomia real dos fabricantes”.
  • Auto+ TV — “BYD Dolphin Mini vai ganhar mais autonomia e potência”.
  • Motor Show e Auto Show — confirmação do iX3 para o Brasil em 2026.
  • Edmunds (via DriverReviews) e Autocar — autonomia real e ficha do Mercedes CLA.
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Jornalista e criador da Carango Elétrico, Julio 'Guga' Moraes vive entre motores, dados e boas ideias — explorando como a tecnologia está redefinindo o jeito de se mover pelo mundo.