Estreia da Caoa Changan marca nova fase da eletrificação premium no país; Avatr 11 e 12 lideram a chegada.
A Caoa anunciou nesta quinta-feira (20 de novembro) a criação da Caoa Changan, nova marca sino-brasileira que estreia oficialmente no mercado nacional durante o Salão do Automóvel de São Paulo. A parceria foi simbolicamente assinada por Philippe Andrade e Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, herdeiros do fundador da Caoa, ao lado de Song Shuang, diretor geral da Changan América Latina. Os primeiros modelos apresentados ao público brasileiro são da linha Avatr, submarca premium da Changan focada em veículos eletrificados de luxo: o SUV cupê 100% elétrico Avatr 11 e o conceito Avatr 12, também totalmente elétrico.
Os novos modelos seguem a receita das conterrâneas chinesas, com visual futurista, interior tecnológico e propulsão 100% elétrica no caso dos Avatr 11 e 12 expostos no Salão. A estreia marca o retorno da Changan ao Brasil após uma primeira passagem entre 2006 e 2016, quando operou sob o nome Chana Motors comercializando veículos comerciais de pequeno porte. A nova estratégia da empresa, porém, aposta em veículos eletrificados de alto padrão tecnológico, diferentemente dos modelos a combustão que marcaram sua presença anterior no país.
Avatr 11 e 12: tecnologia Huawei em veículos de luxo
Apresentado originalmente em agosto de 2022, o Avatr 11 é um SUV cupê com 4,88 metros de comprimento, 1,97 metro de largura, 1,60 metro de altura e 2,975 metros de distância entre-eixos. A Avatr surgiu em 2018, inicialmente como joint venture da Changan com a Nio, e evoluiu para uma parceria de alto nível entre a montadora estatal chinesa e a fabricante de baterias CATL, com tecnologia inteligente fornecida pela Huawei.

O Avatr 11 será posicionado na faixa de R$ 600 mil para competir diretamente com SUVs elétricos de marcas como Audi e BMW. Na China, o modelo está disponível em cinco versões, sendo quatro puramente elétricas com tração integral e uma EREV (elétrico de autonomia estendida), com motor a combustão atuando apenas como gerador de energia para a bateria — essa última ainda sem confirmação para o mercado brasileiro.
Na configuração de topo disponível na China, o Avatr 11 traz dois motores elétricos com até 547 cv e 70 kgfm de torque combinados, acelerando de 0 a 100 km/h em cerca de 3,9 segundos. A unidade exibida no Salão do Automóvel de São Paulo pode adotar especificação diferente — a AutoData menciona uma versão de 313 cv apresentada ao público brasileiro. Segundo informações do mercado chinês, o modelo oferece baterias de até 116,8 kWh, com autonomia que pode alcançar 815 km no ciclo WLTC.
O Avatr 12, segundo modelo apresentado pela marca no Salão de São Paulo, é uma berlina de cinco portas com silhueta de cupê que ultrapassa cinco metros de comprimento. Desenvolvido sobre a mesma plataforma do Avatr 11, o modelo chamou atenção por ter sido revelado primeiro na Europa, no Salão de Munique de 2023, antes mesmo de sua apresentação na China. O Avatr 12 destaca-se pela ausência de vidro traseiro — assim como o Polestar 4 — utilizando uma câmara traseira e um ecrã no lugar do retrovisor interior para visualização.

Parceria estratégica e investimento bilionário
A Changan foi a quarta maior fabricante de veículos da China em 2024 e acumula a venda de 26,3 milhões de unidades em seus 41 anos de produção. A empresa informa investir US$ 10 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos e sistemas, empregando mais de 18 mil engenheiros e técnicos de 31 países, com 16 centros técnicos distribuídos em dez cidades de seis países, incluindo Itália, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.
Song Shuang afirmou que as negociações com a Caoa vêm avançando ao longo dos últimos dois anos e, neste período, as duas empresas começaram a adaptar produtos para o Brasil, com o envolvimento de mais de 300 engenheiros de ambos os países, que trabalharam em mais de 100 carros enviados ao país para testes de rodagem que somaram 1 milhão de quilômetros e 9 mil horas em dinamômetros.
A fábrica da Caoa em Anápolis (GO), inaugurada em 2007, é candidata natural para receber a produção dos modelos Changan. A iniciativa envolve um investimento de R$ 3 bilhões anunciado em 2023, visando dobrar a capacidade produtiva da planta goiana de 80 mil para 160 mil veículos por ano. A unidade passou por modernização com a aquisição de 165 robôs das marcas KUKA e Durr, elevando a automação em 45%.
Rede de vendas independente e estratégia de mercado
A rede de concessionárias Caoa Changan será constituída de lojas próprias, sem qualquer relação com a Caoa Chery. Os pontos de venda até podem ser vizinhos, mas serão devidamente separados. A expectativa é que as operações tenham pós-venda independente, já que Changan e Chery não compartilham componentes e são rivais no mercado chinês.
A decisão da Caoa de trazer uma segunda marca chinesa ocorre em momento de consolidação da parceria com a Chery. A Caoa Chery emplacou mais de 8.084 unidades e produziu 7.600 veículos em outubro de 2025, alcançando market share de 7,66% no varejo — o melhor desempenho dos últimos oito anos. No acumulado entre janeiro e outubro de 2025, a montadora sino-brasileira vendeu mais de 57 mil unidades, representando cerca de 94% do total comercializado em todo o ano de 2024.
A estratégia de diversificação do Grupo Caoa também responde ao fim da parceria de 26 anos com a Hyundai. Em 2024 o acordo com a Hyundai foi reformulado e, este ano, a Caoa deixou de produzir veículos da marca: o último caminhão HR foi produzido em 31 de outubro, abrindo espaço natural para os produtos da nova sócia Changan na fábrica goiana.
Contexto do mercado brasileiro de eletrificados
A chegada da Caoa Changan ocorre em momento de forte aceleração do mercado brasileiro de veículos eletrificados. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas de híbridos e elétricos vêm registrando altas anuais acima de 50% nos últimos anos, com os 100% elétricos ainda representando uma fatia pequena do mercado total de automóveis de passeio. Em 2024, os eletrificados — somando híbridos e elétricos — cresceram cerca de 85% em relação a 2023, segundo dados da entidade.
O posicionamento premium da Avatr coloca os modelos em segmento dominado por marcas europeias tradicionais. O Avatr 11, estimado em R$ 600 mil, competirá com modelos como Audi e-tron, BMW iX e Mercedes-Benz EQE — todos acima de R$ 500 mil no mercado brasileiro. A entrada de uma marca chinesa neste patamar de preço representa estratégia diferente da maioria das montadoras asiáticas, que têm apostado em modelos de entrada e médio porte para conquistar o consumidor brasileiro.
A Caoa ainda não divulgou detalhes sobre o plano de negócios completo, incluindo número de concessionárias previstas, cronograma de lançamentos e eventual montagem nacional dos modelos. A empresa já começou investindo forte em propaganda, anunciando Gisele Bündchen como embaixadora da nova marca no Brasil.
Carango Responde!
1. Qual a diferença entre o Avatr 11 e o Avatr 12? O Avatr 11 é um SUV cupê com quatro portas, enquanto o Avatr 12 é uma berlina (sedã) de cinco portas com mais de cinco metros de comprimento. Ambos compartilham a mesma plataforma e tecnologia Huawei, mas o 12 tem design mais voltado ao conforto executivo e é ligeiramente maior.
2. A Caoa Changan vai produzir os carros no Brasil? A empresa ainda não confirmou oficialmente a produção local. A fábrica de Anápolis (GO) é candidata natural, mas os primeiros modelos provavelmente serão importados. A decisão sobre montagem nacional deve considerar volumes de venda, incentivos fiscais e adaptação às normas brasileiras.
3. Quando os modelos Avatr estarão à venda no Brasil? A Caoa não divulgou datas específicas, mas sinalizou que as vendas devem começar ao longo de 2026. Os modelos apresentados no Salão do Automóvel ainda passarão por processo de homologação junto ao Inmetro e adaptação final para o mercado brasileiro.
4. Qual a autonomia real esperada para o Avatr 11 no Brasil? Na China, o modelo registra até 815 km no ciclo WLTC com bateria de 116,8 kWh. No Brasil, a homologação seguirá o ciclo ABNT NBR 16567, que tende a resultar em valores 10-15% menores que o WLTC devido a diferenças metodológicas. A autonomia final homologada pelo Inmetro ainda não foi divulgada.
5. A Caoa Changan vai afetar a parceria com a Chery? Não. A Caoa e a Chery mantêm sociedade 50-50 desde 2017, e a chegada da Changan não altera este acordo. A expectativa é que as operações tenham redes de vendas e pós-venda independentes, já que os modelos não compartilham componentes ou plataformas e Changan e Chery são rivais no mercado chinês.
Glossário Automotivo
- 🔋 BEV (Battery Electric Vehicle): veículo 100% elétrico movido exclusivamente por bateria, sem motor a combustão.
- ⚡ EREV (Extended Range Electric Vehicle): veículo elétrico de autonomia estendida, com motor a combustão que funciona apenas como gerador de energia para a bateria.
- 🔧 Joint venture: parceria estratégica entre empresas para desenvolvimento conjunto de produtos ou negócios.
- 📊 Market share: participação de mercado, percentual de vendas de uma empresa em relação ao total do setor.
- 🏁 kWh (quilowatt-hora): unidade de capacidade energética da bateria; quanto maior, maior a autonomia do veículo.
Metodologia
Como realizamos esta análise:
- Informações sobre a parceria: coletadas de declarações oficiais no Salão do Automóvel de São Paulo (20/11/2025)
- Especificações técnicas: consultadas em fontes de mercado chinês e europeu
- Dados de vendas Caoa Chery: Fenabrave e releases oficiais da montadora (outubro/2025)
- Preços estimados: baseados em declarações de fontes do setor automotivo publicadas entre julho e novembro de 2025
- Dados de crescimento do mercado: ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) referentes ao ano de 2024
Fontes consultadas:
- Salão do Automóvel de São Paulo 2025 (apresentação oficial)
- Releases oficiais Caoa Chery
- Fenabrave (dados de emplacamentos)
- ABVE (dados de mercado de eletrificados)
Valores consultados em fontes do mercado automotivo entre julho e novembro de 2025. Preços sujeitos a alteração sem aviso prévio. Confirme condições, disponibilidade e valores atualizados junto à concessionária.
Dados de autonomia baseados em ciclo WLTC (mercado chinês e europeu). Autonomia real varia conforme condições de uso, temperatura ambiente, estilo de condução, relevo, velocidade, uso de climatização e carga transportada. Homologação brasileira pelo Inmetro (ciclo ABNT NBR 16567) ainda não foi divulgada.


