Software da Eve gerenciou operações de helicópteros em Interlagos e prepara terreno para os táxis aéreos elétricos que chegam ao Brasil até 2027
A mobilidade elétrica brasileira acaba de ganhar um novo capítulo. Durante o Grande Prêmio de São Paulo de 2025, a Eve Air Mobility — subsidiária da Embraer — realizou a primeira operação real de seu software de gestão de tráfego aéreo urbano, o Vector, em parceria com a Revo, empresa brasileira especializada em voos de helicóptero sob demanda.
De acordo com a Eve, o sistema foi utilizado pela equipe da Revo para gerenciar as operações de helicópteros no autódromo de Interlagos, marcando o primeiro uso prático da plataforma em ambiente real. A operação validou o Módulo de Operações em Solo e Vertiportos, responsável por coordenar pousos e decolagens em locais de alta demanda, como heliportos e futuros vertiportos urbanos.
“Essa implantação não foi apenas sobre tecnologia; foi sobre construir a maturidade da nossa solução de gerenciamento de tráfego aéreo urbano”, afirmou Johann Bordais, CEO da Eve. “Operações reais nos forneceram insights valiosos que aceleram a evolução do Vector e garantem soluções confiáveis e ágeis para clientes em todo o mundo.”
Do helicóptero ao eVTOL
O Módulo de Operações de Frota, previsto para lançamento em 2026, será a peça final da solução, permitindo o controle simultâneo de dezenas de aeronaves — incluindo helicópteros convencionais e eVTOLs elétricos. A estratégia da Eve é usar operações com helicópteros como banco de testes para amadurecer a tecnologia antes da chegada dos táxis aéreos elétricos.
A Revo, que já opera rotas executivas em São Paulo, firmou em junho de 2025 um acordo de até 50 eVTOLs da Eve, um investimento estimado em US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão). O contrato inclui serviços pós-venda e um pacote completo de integração tecnológica.
“Há dois anos, a Revo inovou ao oferecer voos de helicóptero com reserva em poucos minutos. Agora, um novo capítulo começou”, declarou João Welsh, CEO da Revo. “Em eventos como o GP de São Paulo, os eVTOLs serão uma alternativa segura, silenciosa e sustentável.”
As primeiras entregas dos eVTOLs estão planejadas para o quarto trimestre de 2027, condicionadas à certificação pela ANAC. A agência brasileira já iniciou o alinhamento regulatório com os padrões da FAA (EUA) e EASA (Europa), consolidando o país como um dos mercados-piloto para a mobilidade aérea avançada.
Vantagens dos eVTOLs sobre helicópteros convencionais
| Característica | Helicóptero Convencional | eVTOL Eve Air Mobility |
|---|---|---|
| Motorização | Turbina a combustão (querosene de aviação) | Elétrica 100 %, múltiplos rotores independentes |
| Ruído médio | 85 – 95 dB | 60 – 70 dB (redução ≈ 40 %) |
| Emissões de CO₂ | ≈ 200 kg/h de voo | Zero emissões diretas |
| Autonomia típica | 400 – 600 km | 100 – 150 km |
| Velocidade de cruzeiro | ≈ 220 km/h | ≈ 200 km/h |
| Custo operacional (hora) | R$ 3 500 – 5 000 | R$ 1 200 – 2 000 (estimado) |
| Capacidade | 4 a 6 passageiros | 4 passageiros + 1 piloto (opcional) |
| Manutenção | Alta complexidade (motor turbina) | Simplificada (motor elétrico) |
Fonte: Eve Air Mobility / Revo / ANAC / dados do setor. Valores estimativos e sujeitos a alterações conforme projeto final e condições de operação.
Brasil se firma como polo global de mobilidade aérea
Com mais de dois mil helipontos registrados pela ANAC e uma das maiores frotas de helicópteros executivos do mundo, o Brasil oferece uma infraestrutura ideal para a transição dos voos convencionais para aeronaves elétricas.
A Eve já acumula cerca de 2 800 pedidos de eVTOLs em 23 países, incluindo parcerias com Helisul, Bristow e Republic Airways.
Enquanto isso, os veículos elétricos terrestres continuam a expandir sua presença: segundo a ABVE, os eletrificados(HEV, PHEV e BEV) representam 8–9% das vendas mensais em 2025, reforçando que a mobilidade elétrica avança em todas as frentes — agora, inclusive, nos céus.
Vamos Voar!!
A estreia do Vector no GP de São Paulo confirma que a mobilidade elétrica brasileira está pronta para subir de nível.
Com tecnologia desenvolvida no país e apoio regulatório crescente, o Brasil se prepara para ser um dos primeiros mercados do mundo a integrar aeronaves elétricas ao transporte urbano.
Nos próximos anos, será cada vez mais comum ver eVTOLs cruzando o céu de São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais — conectando pessoas de forma rápida, silenciosa e sustentável.
Carango Responde — Tudo o que você precisa saber sobre os eVTOLs no Brasil (2026–2027)
Os táxis aéreos elétricos estão mais perto do que você imagina.
Veja as respostas para as dúvidas mais frequentes sobre o tema e entenda como essa tecnologia vai mudar a mobilidade urbana brasileira.
O que é um eVTOL?
eVTOL significa electric Vertical Take-Off and Landing — aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical. São táxis aéreos 100 % elétricos, silenciosos e sem emissões, voltados para rotas urbanas curtas.
Quando começam as operações no Brasil?
As primeiras entregas de aeronaves da Eve à Revo estão planejadas para o 4º trimestre de 2027, após a certificação da ANAC. Os voos iniciais serão corporativos e de demonstração.
Quanto vai custar um voo de eVTOL?
Ainda sem tabela oficial, mas estimativas indicam R$ 150 a R$ 300 por passageiro em trajetos de 20 km — menos da metade do valor de um helicóptero executivo.
É seguro voar em um eVTOL?
Sim. Eles possuem múltiplos rotores (que garantem redundância), baterias compartimentadas e sistemas de pouso de emergência. A certificação segue os mesmos padrões de segurança da aviação comercial.
Qual é a autonomia dessas aeronaves?
Modelos atuais da Eve oferecem autonomia entre 100 e 150 km e velocidade cruzeiro de 200 km/h, suficientes para rotas urbanas como Congonhas–Campinas ou Barra da Tijuca–Galeão.
Onde eles vão pousar ou decolar?
Nos helipontos existentes (mais de 2 mil registrados pela ANAC) e em novos vertiportos instalados em shoppings, estações de metrô e torres corporativas.
Fontes:
– Eve Air Mobility / Revo PR (10 nov 2025)
– Embraer Media Center (15 jun 2025) — contrato de 50 eVTOLs Revo–Eve
– Eve Investor Update (Out 2025) — 2 800 pedidos globais
– ABVE (2025) — participação de 8–9 % dos eletrificados
– ANAC / FAA / EASA (2024–2025) — regulamentação de eVTOLs


