Iniciativa inédita deve atrair R$ 2,7 bilhões em investimentos privados e viabilizar chegada de 1.700 novos coletivos até 2030
O Brasil deu um passo decisivo na transição para uma mobilidade urbana de baixo carbono com o lançamento do Fundo de Melhoria de Crédito para Ônibus Elétricos. A iniciativa, anunciada durante o Fórum de Líderes Locais da COP30 em novembro de 2025, prevê mobilizar cerca de € 80 milhões (aproximadamente R$ 494 milhões) para financiar a compra de ônibus elétricos e a instalação de infraestrutura de recarga em todo o país.
Com a participação de investidores privados, o mecanismo deve alavancar até € 450 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) em investimentos até 2030, viabilizando a chegada de mais de 1.700 novos ônibus elétricos às cidades brasileiras — um aumento estimado em mais de 200% sobre a frota atual de transporte público elétrico no país.
Parceria estratégica para descarbonizar o transporte público
O fundo é resultado de uma ampla parceria entre o Ministério das Cidades, Bloomberg Philanthropies, BTG Pactual Asset Management, Mitigation Action Facility e WRI Brasil, com apoio do ITDP Brasil, Catalytic Finance Foundation e C40 Cities.
O ministro das Cidades, Jader Filho, destacou durante o lançamento que “ao promover a mobilidade sustentável e o desenvolvimento urbano equitativo, fortalecemos a capacidade das cidades de enfrentar a crise climática e melhorar a vida cotidiana das pessoas”.
Como o fundo funciona
O Fundo de Melhoria de Crédito para Ônibus Elétricos deve liberar, ao longo de seis anos, recursos em empréstimos que facilitam o acesso das cidades a crédito privado e aceleram a transição para o transporte público de emissão zero.
O fundo é ancorado por um aporte de € 24 milhões (cerca de R$ 150 milhões) do BTG Pactual e conta com uma subvenção de primeira perda do Mitigation Action Facility, mecanismo internacional que apoia financeiramente projetos de mitigação climática. A gestão ficará a cargo da BTG Pactual Asset Management, escolhida após seleção internacional liderada pelo WRI Brasil e pela Catalytic Finance Foundation.
Primeiras cidades beneficiadas
Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba e Belo Horizonte devem ser as primeiras cidades beneficiadas. A escolha dessas capitais estratégicas visa criar modelos replicáveis para outras cidades brasileiras.
O modelo pretende servir de referência para outros países em desenvolvimento e posicionar o Brasil como líder latino-americano em mobilidade elétrica.
Cenário atual dos ônibus elétricos no Brasil
Segundo a ABVE, o Brasil superou a marca de mil ônibus elétricos em operação, com São Paulo liderando amplamente. Entre 2022 e abril de 2025, foram emplacados 642 ônibus elétricos em 21 municípios — 89% no Sudeste e 8% no Sul.
Os primeiros quatro meses de 2025 já somaram 248 novos veículos, 82% do total de 2024. Atualmente, nove fabricantes atuam no segmento, sendo seis nacionais e três importadores, com 25 modelos disponíveis.
Comparação com outros países da América Latina
| País | Frota de ônibus elétricos | Ônibus por 100 mil hab. | Status |
|---|---|---|---|
| 🇨🇳 China | ~570.000 | 39,3 | Líder global |
| 🇨🇱 Chile | ~2.600 | 13,5 | Líder fora da China |
| 🇨🇴 Colômbia | ~1.700 | 3,3 | Crescimento acelerado |
| 🇧🇷 Brasil | ~1.000+ | 0,48 | Em expansão rápida |
Fonte: ABVE, WRI Brasil e relatórios internacionais de mobilidade elétrica (2025).
Impactos ambientais e econômicos
Os ônibus elétricos reduzem drasticamente as emissões e o ruído urbano. Segundo o BNDES, uma transição parcial poderia cortar até 3,9 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Além disso, esses veículos são até 70% mais baratos por quilómetro e possuem vida útil 50% maior que os modelos a diesel.
PAC e outras iniciativas federais
O PAC prevê R$ 10,6 bilhões para renovar frotas, com mais de 2.500 ônibus elétricos e 2.700 Euro 6. O BNDES é hoje o maior financiador de ônibus elétricos da América Latina, respondendo por mais de 12% dos recursos da região.
Desafios
- Preço: 3,1 a 4,9 vezes superior aos modelos a diesel;
- Infraestrutura: rede elétrica ainda limitada em muitas garagens;
- Capacidade de rede: distribuidoras precisam adaptar conexões urbanas.
Conclusão
O Fundo de Melhoria de Crédito para Ônibus Elétricos coloca o Brasil no mapa das nações que lideram a descarbonização do transporte público. A combinação de capital verde, inovação e políticas públicas pode transformar o transporte urbano brasileiro até 2030 — com mais conforto, menos ruído e zero emissões.
Fontes verificadas: gov.br, WRI Brasil, Bloomberg Philanthropies, BTG Pactual, Exame, TV Brasil, Veja, ABVE, BNDES (2025).
Carango Responde
Quanto custa um ônibus elétrico no Brasil?
Os preços variam entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,4 milhões, conforme porte e autonomia. Modelos articulados são os mais caros.
Quantos ônibus elétricos existem atualmente no Brasil?
Mais de 1.000 unidades em circulação, concentradas em São Paulo, Curitiba, Salvador e Rio de Janeiro.
Quanto tempo leva para carregar um ônibus elétrico?
De 2 a 4 horas em carregadores rápidos. Com sistemas BESS, é possível carregar até 29 veículos simultaneamente.
O fundo atende apenas grandes capitais?
Não. Embora as primeiras beneficiadas sejam grandes cidades, o fundo aceitará projetos de municípios que atendam aos critérios técnicos e financeiros.
Qual o impacto ambiental esperado?
Redução potencial de 3,9 milhões de toneladas de CO₂ por ano e queda no ruído urbano para 60–70 dB, melhorando o bem-estar nas cidades.
Quais as vantagens além da sustentabilidade?
Menor custo operacional, vida útil 50% maior e manutenção simplificada, com menos peças móveis e menor desgaste geral.
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