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CEO da BMW elogia acordo comercial entre União Europeia e Índia que reduz tarifas de importação de veículos

Por Guga Moraes - Editor Chefe

Tratado histórico prevê queda gradual de impostos sobre carros europeus de 110% para 10% em cinco anos, mas exclui elétricos até 2031

A União Europeia e a Índia anunciaram nesta terça-feira (27) a conclusão de um acordo de livre comércio após quase duas décadas de negociações, com impacto direto no setor automotivo. O tratado prevê redução das tarifas de importação sobre veículos europeus de até 110% para 30-35% imediatamente, com cortes adicionais até atingir 10% em cinco anos. O CEO global da BMW, Oliver Zipse, classificou o acordo como “extremamente importante para a Alemanha como nação exportadora” em declaração à agência Reuters.

O pacto estabelece uma cota anual de 250 mil veículos, divididos em 160 mil unidades com motor a combustão e 90 mil elétricos. Uma ressalva importante: veículos 100% elétricos foram excluídos das reduções tarifárias iniciais, com benefícios previstos apenas a partir de 2031 — medida que visa proteger fabricantes indianos como Tata Motors e Mahindra, que investem na eletrificação local.

Cronograma de redução tarifária

O acordo estabelece uma transição gradual para as tarifas de importação. No primeiro dia de vigência, as alíquotas cairão para 30-35% — dependendo da faixa de preço do veículo. Ao longo de cinco anos, o imposto será reduzido progressivamente até atingir 10% para veículos dentro da cota.

A cota de 250 mil veículos anuais representa um volume seis vezes maior que o acordado pela Índia com o Reino Unido em tratado anterior, que previa apenas 37 mil unidades. Para veículos fora da cota, as tarifas também serão reduzidas, porém de forma mais lenta: de 110% para 35% ao longo de dez anos, segundo fontes do Business Standard.

Veículos com preço inferior a 15 mil euros (aproximadamente R$ 93 mil na cotação atual) foram excluídos do acordo, medida que protege fabricantes de carros populares na Índia. A decisão não afeta montadoras premium como BMW, Mercedes-Benz e Audi, cujos produtos são comercializados em faixas de preço superiores.

Elétricos ficam de fora até 2031

A exclusão dos veículos elétricos das reduções tarifárias imediatas foi um ponto sensível nas negociações. Segundo reportagem do Business Today, a Índia optou por proteger sua indústria nascente de eletrificação, que recebe investimentos significativos de grupos locais como Tata Motors e Mahindra & Mahindra.

A decisão impacta diretamente a BMW, que possui linha de veículos elétricos e híbridos plug-in. Oliver Zipse, contudo, manteve tom positivo sobre o acordo geral: “Estamos muito satisfeitos que as coisas estejam avançando rapidamente, que estejamos expandindo relações multilaterais em vez de cortá-las”, afirmou à Reuters.

A partir do quinto ano de vigência do acordo, os veículos elétricos passarão a receber reduções tarifárias progressivas, com alíquotas iniciais entre 30-35% e redução gradual até 10% ao longo de mais cinco anos — cronograma que se estende até aproximadamente 2036 para equalização completa.

Contexto brasileiro: tarifas em alta

Enquanto a Índia reduz barreiras comerciais com a Europa, o Brasil segue caminho oposto em relação aos veículos eletrificados importados. Em julho de 2026, o país unificará a alíquota do imposto de importação em 35% para elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos convencionais (HEV), conforme cronograma definido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em 2023.

O cronograma brasileiro previu elevações graduais desde janeiro de 2024. Atualmente, as alíquotas vigentes são de 25% para BEV, 28% para PHEV e 30% para HEV. A partir de julho de 2026, todas as categorias pagarão 35% — mesma alíquota aplicada a veículos a combustão importados.

A medida brasileira visa incentivar a produção local de veículos eletrificados. Montadoras como BYD, GWM e Geely já iniciaram operações de montagem no país, beneficiando-se de alíquotas reduzidas para regimes CKD (veículo desmontado) e SKD (parcialmente desmontado), que atualmente variam entre 16% e 18%.

Comparativo: tarifas de importação de veículos

País/BlocoCombustãoElétricos (BEV)Observação
🇮🇳 Índia (antes)70-110%70-110%Pré-acordo UE
🇮🇳 Índia (ano 1)30-35%Sem reduçãoCota 250 mil/ano
🇮🇳 Índia (ano 5)10%30-35%EVs começam redução
🇧🇷 Brasil (jan/2026)35%25%Vigente
🇧🇷 Brasil (jul/2026)35%35%Unificação tarifária

Nota: Valores referentes a veículos importados completos (CBU). Dados compilados de fontes oficiais em janeiro de 2026. Tarifas podem variar conforme categoria, preço e cotas disponíveis.

Impacto para as montadoras europeias

A BMW opera uma fábrica em Chennai, na Índia, onde monta diversos modelos. Segundo Hardeep Singh Brar, presidente e CEO da BMW Group India, mais de 95% das vendas da marca no país provêm de veículos fabricados localmente, com importados representando apenas 5% do volume.

Hardeep S. Brar - President & CEO, BMW Group India.
Hardeep S. Brar – President & CEO, BMW Group India.

Brar afirmou ao Business Standard que o acordo reflete a crescente relevância estratégica e econômica da Índia no cenário global. “Sempre defendemos o livre comércio, pois ele melhora o acesso justo ao mercado, fortalece a colaboração econômica, aproveita forças mútuas e constrói cadeias de suprimentos mais resilientes”, declarou.

A Renault também se manifestou positivamente. Stéphane Deblaise, CEO da Renault Group India, afirmou que o acordo sinaliza “colaboração econômica e industrial mais próxima entre Europa e Índia” e reforça a disposição da empresa em investir nas duas regiões. A Volkswagen, por meio de sua marca Skoda, também planeja nova fase de investimentos no mercado indiano.

Perspectivas

O acordo UE-Índia representa o maior pacto bilateral de comércio concluído globalmente nos últimos anos, segundo autoridades de ambos os lados. O tratado abrange não apenas bens, mas também serviços, mobilidade de profissionais e comércio digital. A assinatura formal está prevista para os próximos cinco a seis meses, com entrada em vigor estimada para o início de 2027.

Para o setor automotivo, o impacto será gradual. Não há expectativa de reduções imediatas de preços, mas o acordo abre caminho para portfólios mais amplos de veículos europeus no mercado indiano e maior integração das cadeias de suprimentos. A exclusão temporária dos elétricos, contudo, limita os benefícios para fabricantes que apostam na eletrificação como estratégia central — incluindo a própria BMW.


Carango Responde!

1. Quanto pagarão os carros europeus importados para a Índia após o acordo? As tarifas cairão imediatamente de até 110% para 30-35%, reduzindo-se progressivamente até 10% em cinco anos para veículos dentro da cota anual de 250 mil unidades.

2. Por que os veículos elétricos foram excluídos do acordo? A Índia optou por proteger sua indústria nascente de veículos elétricos, que recebe investimentos de fabricantes locais como Tata Motors e Mahindra. A redução tarifária para elétricos começará apenas a partir do quinto ano de vigência do tratado.

3. Como o Brasil se compara em termos de tarifas para elétricos? O Brasil segue direção oposta: em julho de 2026, a alíquota do imposto de importação para veículos eletrificados será unificada em 35%, atingindo o mesmo patamar dos carros a combustão. A medida visa incentivar a produção local.

4. Quando o acordo UE-Índia entra em vigor? A assinatura formal está prevista para os próximos cinco a seis meses, com entrada em vigor estimada para o início de 2027. Os benefícios tarifários serão implementados gradualmente ao longo de cinco a dez anos.

5. A BMW será beneficiada pelo acordo? Parcialmente. A marca poderá importar modelos a combustão com tarifas reduzidas, mas sua linha de elétricos não receberá benefícios até 2031. A BMW já produz localmente na Índia, com importados representando apenas 5% das vendas.


Glossário Automotivo

  • 🌍 FTA (Free Trade Agreement): acordo de livre comércio entre países ou blocos econômicos que reduz ou elimina tarifas de importação.
  • 🔋 BEV (Battery Electric Vehicle): veículo 100% elétrico, movido exclusivamente por bateria.
  • 🏭 CKD (Completely Knocked Down): regime de importação em que o veículo chega totalmente desmontado para montagem local.
  • 📊 Cota de importação: limite quantitativo de produtos que podem ser importados com tarifa preferencial em determinado período.
  • 🇧🇷 MDIC: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, responsável pela política industrial brasileira.

Metodologia

Como realizamos esta análise:

  • Tarifas do acordo UE-Índia: declarações oficiais e reportagens da Reuters, Business Standard e CNBC publicadas em 27 de janeiro de 2026
  • Declarações de executivos: entrevistas à Reuters (Oliver Zipse) e Business Standard (Hardeep Singh Brar)
  • Tarifas brasileiras: cronograma oficial do MDIC publicado em novembro de 2023 e atualizado pela Agência Brasil
  • Última atualização: 27 de janeiro de 2026

Fontes consultadas:

  • Reuters
  • Business Standard
  • Business Today
  • CNBC
  • Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (gov.br)
  • Agência Brasil

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Jornalista e criador da Carango Elétrico, Julio 'Guga' Moraes vive entre motores, dados e boas ideias — explorando como a tecnologia está redefinindo o jeito de se mover pelo mundo.