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GWM antecipa sexta marca com design retrô; modelo pode chegar ao Brasil

Por Guga Moraes - Editor Chefe

Montadora chinesa divulga teasers de veículo com linhas vintage que contrasta com portfólio atual; empresa já produz no Brasil e projeta 58 mil vendas em 2026

A Great Wall Motor (GWM), montadora chinesa com fábrica em Iracemápolis (SP), divulgou nesta quinta-feira (19) imagens de um novo modelo com design retrô que pode inaugurar sua sexta marca global. O veículo foi apresentado em publicação de Li Fei, engenheiro-chefe de chassis drive-by-wire da GWM, na rede social chinesa Weibo, com a pergunta: “A sexta marca da GWM está chegando?”.

As imagens revelam um automóvel com para-choque traseiro cromado robusto, carroceria arredondada e alongada, e uma sequência de letras como identificador na traseira — características que contrastam com a linguagem visual das cinco marcas atuais do grupo: Haval (SUVs), Tank (off-road), Wey (luxo tecnológico), Ora (elétricos) e Poer (picapes).

A notícia ganha relevância para o mercado brasileiro porque a GWM já opera localmente: a fábrica de Iracemápolis iniciou produção em agosto de 2025 e a empresa planeja 12 lançamentos no país em 2026, com meta de 58 mil unidades vendidas.

Design que rompe com as cinco marcas atuais

Segundo Li Fei, o novo modelo não representa apenas um acréscimo ao portfólio existente, mas sim uma série de produtos completamente nova. O executivo detalhou que o design não segue nenhuma das linhas estabelecidas pelo grupo:

“Pelo design exterior, ele contrasta fortemente com as cinco marcas existentes da GWM. Não segue a rota de SUVs mainstream da Haval, nem o estilo off-road robusto da Tank. Não está alinhado com a abordagem de luxo tecnológico da Wey, nem com o posicionamento de veículos elétricos da Ora, e não combina com as características de picape da Poer”, afirmou o engenheiro na publicação.

Atualmente, a GWM opera seis marcas em sua estrutura global: Haval, Tank, Wey, Ora, Poer e Souo (motocicletas). Se confirmada, a nova marca representaria uma expansão significativa do portfólio da montadora.

Movimento paralelo: veículos acima de R$ 800 mil

O teaser da possível sexta marca ocorre em paralelo a outra iniciativa estratégica da GWM. No início de 2025, a montadora anunciou a criação do “Ultra Luxury Vehicle Business Group”, divisão comandada diretamente pelo presidente do grupo, Wei Jianjun, com foco em veículos acima de 1 milhão de yuans (aproximadamente R$ 815 mil na cotação atual).

A GWM também trabalha no desenvolvimento de seu primeiro supercarro, previsto para 2026, que deve rivalizar com modelos como o Ferrari SF90 — porém com preço estimado pela metade, segundo publicações especializadas chinesas.

Vendas globais em crescimento

Os números da GWM no mercado global sustentam sua estratégia de expansão de marcas. Em novembro de 2025, a montadora comercializou 133.200 veículos, crescimento de 4,57% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a novembro, as vendas atingiram 1.199.700 unidades — avanço de 9,26% sobre o período anterior, marcando recorde histórico para a empresa.

O segmento de veículos de nova energia (elétricos e híbridos) apresentou desempenho ainda mais expressivo: 40.113 unidades em novembro (alta de 11,43%) e 243.500 no acumulado de 2025. No mercado internacional, a GWM exportou 57.309 veículos em novembro (crescimento de 32,70%), totalizando 368.700 unidades exportadas no ano.

Presença consolidada no Brasil

No mercado brasileiro, a GWM já figura entre as principais marcas de veículos eletrificados. Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a empresa foi a segunda marca com mais emplacamentos de elétricos e híbridos em novembro de 2025, com 4.023 unidades — atrás apenas da BYD (9.807).

A fábrica de Iracemápolis (SP), que pertencia à Mercedes-Benz, iniciou operações em agosto de 2025 com capacidade inicial de 30 mil veículos/ano. A planta produz o Haval H6 (híbrido convencional e plug-in), Wey 07, Haval H9 (diesel) e a picape Poer P30 (diesel). A GWM planeja adicionar um terceiro turno em 2026 para elevar a capacidade a 50 mil unidades anuais.

A montadora superou sua meta original de 35 mil vendas em 2025 e revisou a projeção para 42 mil unidades. Para 2026, o objetivo é comercializar 58 mil veículos, sustentado por 12 lançamentos — entre modelos inéditos e novas versões. A rede de concessionárias, que encerrou 2025 com cerca de 130 pontos, deve chegar a 150 unidades até o fim de 2026.

Entre os modelos que a GWM estuda trazer ao Brasil estão o SUV de luxo Tank 700, a minivan Wey G9 Max (ambos apresentados no Salão do Automóvel de São Paulo 2025), os SUVs Tank 500 e Tank 400, além do Ora 5 — primeiro SUV 100% elétrico da submarca, lançado na China em dezembro de 2025 por cerca de R$ 81 mil (99.800 yuans).

Possível chegada ao Brasil

Ainda não há informações oficiais sobre a disponibilidade do novo modelo retrô fora da China. Contudo, considerando a estratégia de expansão da GWM no Brasil — que inclui investimento de R$ 10 bilhões até 2032 e o compromisso de nacionalização progressiva — não está descartada a hipótese de o veículo ser oferecido no mercado brasileiro em um horizonte de médio prazo.

A montadora demonstrou capacidade de trazer ao Brasil modelos de diferentes submarcas: atualmente comercializa veículos Haval, Tank, Wey, Ora e Poer no país. Uma eventual sexta marca poderia seguir o mesmo caminho, especialmente se o posicionamento retrô atrair consumidores que buscam diferenciação estética.

Perspectivas

A divulgação do teaser reforça a estratégia da GWM de diversificar seu portfólio para atingir diferentes nichos de mercado. O modelo retrô pode representar tanto uma aposta em consumidores nostálgicos quanto uma tentativa de explorar um segmento ainda pouco ocupado por montadoras chinesas.

Para o consumidor brasileiro, a notícia indica que a GWM continuará ampliando suas opções no país nos próximos anos. Com produção local consolidada e plano de investimentos robusto, a empresa está bem posicionada para introduzir novas marcas e modelos — incluindo eventuais veículos de nicho como o retrô anunciado.

Consulte o portfólio completo de modelos da GWM disponíveis no Brasil e acompanhe os próximos lançamentos da montadora.


Carango Responde!

1. A GWM vai lançar uma sexta marca?
A montadora ainda não confirmou oficialmente, mas o teaser divulgado por um de seus engenheiros-chefes sugere fortemente essa possibilidade. O modelo apresentado não se encaixa em nenhuma das cinco marcas atuais: Haval, Tank, Wey, Ora ou Poer.

2. Esse carro retrô vai chegar ao Brasil?
Não há informações oficiais sobre disponibilidade fora da China. Contudo, a GWM já comercializa veículos de cinco submarcas no Brasil e planeja 12 lançamentos em 2026, o que indica disposição para ampliar o portfólio local.

3. Quais modelos da GWM são produzidos no Brasil?
A fábrica de Iracemápolis (SP) produz o Haval H6 (versões HEV e PHEV), Wey 07, Haval H9 (diesel) e a picape Poer P30 (diesel). A planta iniciou operações em agosto de 2025.

4. A GWM vende bem no Brasil?
Sim. Segundo a ABVE, a GWM foi a segunda marca com mais emplacamentos de veículos eletrificados em novembro de 2025, atrás apenas da BYD. O Haval H6 lidera as vendas de híbridos no país.

5. Quantas concessionárias GWM existem no Brasil?
A rede encerrou 2025 com aproximadamente 130 pontos de venda e pós-venda, com previsão de chegar a 150 unidades até o fim de 2026.


Glossário Automotivo

  • 🏢 GWM (Great Wall Motor): montadora chinesa fundada em 1984, maior fabricante de SUVs e picapes da China, com operações em mais de 150 países.
  • 🔋 HEV (Hybrid Electric Vehicle): veículo híbrido convencional que combina motor a combustão com motor elétrico, sem recarga externa.
  • ⚡ PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle): híbrido recarregável que pode ser conectado à tomada para carregar a bateria, oferecendo maior autonomia elétrica.
  • 🔌 Drive-by-wire: sistema eletrônico que substitui conexões mecânicas tradicionais (como cabos de acelerador) por sinais elétricos, permitindo maior precisão e integração com recursos de direção autônoma.
  • 🏭 Nacionalização: processo de incorporar componentes e processos de fabricação locais, reduzindo dependência de importações e custos logísticos.

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Editor Chefe
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Jornalista e criador da Carango Elétrico, Julio 'Guga' Moraes vive entre motores, dados e boas ideias — explorando como a tecnologia está redefinindo o jeito de se mover pelo mundo.