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Geely EX5 EM-i será primeiro híbrido plug-in da marca produzido no Brasil

Por Lucas Cesar - Redator

SUV chinês chega importado no primeiro semestre de 2026 e inicia fabricação nacional no segundo semestre no Complexo Ayrton Senna, no Paraná

A Geely apresentou oficialmente no Salão do Automóvel de São Paulo o Geely EX5 EM-i, SUV híbrido plug-in que marca a estreia da marca chinesa no segmento de híbridos plug-in no Brasil. O modelo será o primeiro carro da Geely fabricado em território nacional, com produção programada para o segundo semestre de 2026 no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, Paraná.

Antes do início da montagem local, o Geely EX5 EM-i chegará ao mercado brasileiro como importado no primeiro semestre de 2026, segundo informações oficiais divulgadas pela companhia na terça-feira (19). A produção nacional integra o pacote de investimentos de R$ 3,8 bilhões anunciado pela joint-venture Renault Geely do Brasil, firmada após a aquisição de 26,4% da operação brasileira da Renault pela fabricante chinesa.

O SUV híbrido plug-in utiliza a plataforma GEA (Global Intelligent Electric Architecture), que, segundo a Renault Geely do Brasil, será a primeira arquitetura global da Geely produzida no país. O veículo compete diretamente com modelos já estabelecidos no segmento, como BYD Song Plus DM-i — comercializado entre R$ 249.990 e R$ 299.800 — e GWM Haval H6 PHEV, com preços entre R$ 229.000 e R$ 269.000.

Especificações técnicas e concorrência direta

O Geely EX5 EM-i emprega o sistema NordThor EM-i, que combina motor 1.5 aspirado a gasolina com conjunto elétrico. Dados divulgados pela Geely no lançamento mexicano do modelo, realizado em novembro de 2025, indicam potência combinada de 259 cv e tração dianteira, com bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) de 18,4 kWh de capacidade. A autonomia elétrica declarada pela fabricante alcança 105 km, enquanto a autonomia total — combinando modo elétrico e combustão — chega a 1.000 km.

Na China, o Geely EX5 EM-i é oferecido em versões com baterias de 18,4 kWh ou de maior capacidade, com autonomia total que pode atingir 1.420 km, conforme dados de mercado chinês. As especificações finais para o Brasil ainda não foram confirmadas pela Renault Geely do Brasil.

O modelo mede 4,74 metros de comprimento, 1,90 metro de largura e tem 2,75 metros de distância entre-eixos — dimensões próximas às dos concorrentes diretos Song Plus e Haval H6. O porta-malas comporta 528 litros, volume similar ao BYD Song Plus DM-i (552 litros na versão 2026) e inferior ao Haval H6 PHEV34, que oferece 583 litros. Dimensões e capacidade de porta-malas são baseadas em dados oficiais do modelo no exterior; a ficha técnica brasileira definitiva ainda poderá trazer pequenas variações.

Contexto de mercado e incentivos fiscais

O segmento de híbridos plug-in registrou crescimento expressivo no Brasil em 2025. Segundo dados da ABVE Data (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), as vendas de veículos eletrificados leves — incluindo 100% elétricos, híbridos e híbridos plug-in — somaram 168.798 unidades entre janeiro e outubro de 2025, com 81,6% de participação dos modelos plug-in, representando avanço em relação ao ano anterior.

No entanto, a política de incentivos fiscais para híbridos plug-in permanece fragmentada. Em São Paulo, estado onde está localizada a fábrica do Geely EX5 EM-i, a isenção de IPVA aplica-se apenas a veículos híbridos flex (movidos a etanol ou gasolina) fabricados no estado e com valor até R$ 250 mil, conforme lei sancionada em dezembro de 2024 e válida até 31 de dezembro de 2026. A partir de 2027, a tributação retorna de forma gradual até atingir alíquota de 4%.

O Distrito Federal concede isenção de IPVA para veículos elétricos e híbridos, mas as regras variam conforme ano de fabricação, tipo de veículo e outros critérios definidos em legislação local — não se trata de isenção irrestrita. No Paraná, onde o Geely EX5 EM-i será fabricado, o estado chegou a oferecer isenção de IPVA para veículos elétricos até o fim de 2023, mas o benefício não foi renovado. Atualmente, não há isenção específica para elétricos ou híbridos plug-in, e os carros de passeio pagam a alíquota padrão de 3,5% do IPVA. Em Minas Gerais, a isenção é restrita a veículos eletrificados fabricados no próprio estado e que atendam aos critérios da legislação local — na prática, são poucos modelos.

O cenário fiscal dificulta a previsibilidade de custos para o consumidor. Marcas como BYD e GWM, que já oferecem híbridos plug-in importados, não se beneficiam da isenção paulista devido aos critérios de produção local e tipo de combustível. A produção nacional do Geely EX5 EM-i pode alterar esse cenário, caso a Geely opte por versão flex.

Produção local e estratégia industrial

O investimento de R$ 3,8 bilhões anunciado pela Renault Geely do Brasil prevê o desenvolvimento de quatro modelos inéditos até 2026, incluindo versões flex, híbridas e totalmente elétricas. O Complexo Ayrton Senna, que já produziu quatro milhões de veículos desde sua inauguração — sendo um milhão destinado à exportação —, emprega atualmente mais de 5 mil trabalhadores diretos e gera 25 mil empregos indiretos, segundo informações da Renault.

A fabricação do Geely EX5 EM-i marca a primeira vez que uma plataforma global da Geely será produzida no Brasil. A arquitetura GEA foi projetada para acomodar sistemas eletrificados, com estrutura que integra bateria, motores elétricos e eletrônica de potência. A produção local pode conferir ao modelo vantagens logísticas e tributárias em relação aos concorrentes importados.

Ariel Montenegro, presidente da Renault Geely do Brasil, destacou em comunicado oficial que “o EX5 EM-i será o primeiro modelo híbrido da Geely no país e marca uma trajetória longa e sólida da marca no Brasil”. Victor Yang, vice-presidente sênior do Geely Holding Group, afirmou que o modelo “atende à ambição de enriquecer vidas globalmente com soluções inovadoras e sustentáveis de mobilidade”.

Linha eletrificada e posicionamento de mercado

Além do EX5 EM-i, a Geely exibiu no Salão do Automóvel dois modelos já comercializados no Brasil: o SUV 100% elétrico EX5, lançado em julho de 2025 com preços entre R$ 205.800 e R$ 225.800, e o hatch elétrico EX2, apresentado em novembro de 2025 com valores entre R$ 119.990 e R$ 135.100.

O EX5 elétrico registrou autonomia de 413 km segundo homologação do Inmetro (ciclo ABNT NBR 16567), enquanto o EX2 alcançou 289 km pelo mesmo critério. Ambos utilizam baterias LFP e recarga rápida em corrente contínua.

A chegada do Geely EX5 EM-i amplia o portfólio da marca para três modelos, posicionando a Geely em dois segmentos distintos: hatches compactos e SUVs médios. A estratégia da fabricante chinesa visa capturar diferentes perfis de consumidores, desde compradores urbanos que priorizam custo inicial reduzido até clientes que buscam maior autonomia e versatilidade em viagens mais longas.

O preço do EX5 EM-i no Brasil ainda não foi divulgado. No México, onde o modelo foi lançado em novembro de 2025, o valor sugerido é de MX$ 599.990, equivalente a cerca de R$ 173.800 em conversão direta — patamar abaixo dos concorrentes brasileiros. No entanto, diferenças tributárias, logísticas e de especificação podem resultar em posicionamento de preço distinto no mercado nacional.


Carango Responde!

1. O Geely EX5 EM-i terá isenção de IPVA em São Paulo? Depende da configuração final do modelo. A lei paulista isenta apenas híbridos flex fabricados no estado com valor até R$ 250 mil. Se a Geely optar por versão flex, o benefício pode se aplicar. Híbridos que utilizam exclusivamente gasolina não se enquadram.

2. Qual a diferença entre o EX5 elétrico e o EX5 EM-i? O EX5 elétrico é 100% movido a bateria, com autonomia de 413 km (Inmetro). O EX5 EM-i é híbrido plug-in, combinando motor a combustão e elétrico, com autonomia elétrica estimada em 105 km e alcance total superior a 1.000 km.

3. Quando começa a venda do EX5 EM-i no Brasil? O modelo chegará importado no primeiro semestre de 2026. A produção nacional no Paraná está prevista para iniciar no segundo semestre de 2026.

4. A produção nacional tornará o EX5 EM-i mais barato? A fabricação local reduz custos de importação e pode conferir benefícios fiscais, mas o preço final depende de estratégia comercial, especificações e tributação. Comparações diretas só serão possíveis após divulgação oficial.

5. Quais concorrentes o EX5 EM-i enfrentará no Brasil? Os principais rivais são BYD Song Plus DM-i (R$ 249.990 a R$ 299.800), GWM Haval H6 PHEV (R$ 229.000 a R$ 269.000) e CAOA Chery Tiggo 7 PHEV (cerca de R$ 220.000).


Glossário Automotivo

  • 🔋 PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle): híbrido recarregável externamente, combina motor a combustão com elétrico e permite rodar em modo 100% elétrico por distâncias limitadas.
  • ⚡ LFP (Lítio-Fosfato de Ferro): química de bateria que prioriza durabilidade e segurança, com menor densidade energética que baterias NMC.
  • 🔌 kWh (quilowatt-hora): unidade de capacidade energética da bateria; quanto maior o valor, maior a autonomia elétrica.
  • 🏁 GEA (Global Intelligent Electric Architecture): plataforma modular da Geely projetada para veículos eletrificados, integrando bateria, estrutura e sistemas eletrônicos.
  • 🔧 Inmetro ABNT NBR 16567: norma brasileira para medição de autonomia de veículos elétricos, considerada mais realista que ciclos chineses (CLTC).

Metodologia

Como realizamos esta matéria:

  • Informações baseadas em comunicado oficial da Geely divulgado no Salão do Automóvel de São Paulo em 18 de novembro de 2025
  • Dados técnicos consultados em lançamento mexicano do modelo e fontes especializadas
  • Preços dos concorrentes verificados em sites oficiais das montadoras em novembro de 2025
  • Legislação de IPVA consultada via portais oficiais das Secretarias da Fazenda estaduais e ABVE Data
  • Dados de mercado fornecidos pela ABVE Data (Associação Brasileira do Veículo Elétrico)

Fontes consultadas:

  • Comunicado oficial Geely/Renault (18/11/2025)
  • ABVE Data (dados de emplacamentos janeiro-outubro 2025)
  • Governo do Paraná (investimentos Renault-Geely)
  • Portais das Secretarias da Fazenda (SP, DF, PR, MG)

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Redator
Lucas Cesar, conhecido como Lusca, é jornalista há cinco anos, com experiência em tecnologia, publicidade e, mais recentemente, no universo automotivo. Apaixonado por inovação — de produtos a serviços — acompanha de perto as transformações do setor e, no Carango Elétrico, compartilha as principais novidades e tendências do mercado de veículos elétricos.