Programa municipal prevê renovação de 20 mil ciclomotores até 2030, com orçamento inicial de € 15 milhões e meta de frota 100% elétrica na capital catalã
A Prefeitura de Barcelona anunciou nesta segunda-feira (17) um programa de incentivos de € 600 (cerca de R$ 3.500) para moradores que descartarem ciclomotores a gasolina e comprarem modelos elétricos. A medida, apresentada pelo prefeito Jaume Collboni, entra em vigor em 1º de março de 2026 e tem como objetivo transformar a frota de ciclomotores da cidade em 100% elétrica até 2030.
O programa conta com orçamento inicial de € 15 milhões (R$ 88 milhões) e prevê a substituição de até 20 mil ciclomotores a combustão, parte dos 24 mil modelos não elétricos entre os 32 mil ciclomotores registrados na capital catalã — dos quais cerca de 8 mil já são elétricos (25% da frota).
Segundo o município, os ciclomotores a combustão são responsáveis pela emissão de aproximadamente 3 mil toneladas de dióxido de carbono por ano — equivalente às emissões de mil automóveis convencionais no mesmo período.
A iniciativa coloca Barcelona entre as cidades europeias mais ativas na descarbonização da mobilidade urbana, ao lado de programas similares em países como Portugal, que oferece até € 1.500 (cerca de R$ 8.800) para compra de ciclomotores elétricos, conforme legislação aprovada pelo Fundo Ambiental português em 2025.
Como funciona o incentivo catalão
Para ter acesso aos € 600, o interessado deve estar cadastrado como residente em Barcelona e apresentar dois comprovantes: o certificado de descarte do ciclomotor a gasolina (fornecido gratuitamente pelos depósitos municipais da BSM — Barcelona de Serveis Municipals) e a nota fiscal de compra do ciclomotor elétrico.
A solicitação será feita por formulário digital, sem necessidade de comparecimento presencial. As subvenções serão concedidas por ordem de chegada até o esgotamento do orçamento anual, válido até 2030.
O valor de € 600 representa entre 16% e 40% do preço de um ciclomotor elétrico novo no mercado europeu, segundo estimativas do município. São elegíveis apenas ciclomotores de até 50 cm³ de cilindrada — motocicletas acima dessa potência não são contempladas.
Infraestrutura de recarga como complemento
Além do incentivo direto ao consumidor, o programa prevê investimento de € 3 milhões (R$ 17,6 milhões) em quatro anos para instalação de 64 novas estações de troca de baterias em estacionamentos públicos, privados e postos de combustível. As estações de battery-swap permitem substituição rápida de baterias descarregadas por unidades já carregadas, eliminando o tempo de espera.
Barcelona conta atualmente com 32 estações de troca de baterias e deve alcançar 96 pontos até 2030. Operadores que instalarem as estações receberão subvenções de até € 45 mil por ponto, cobrindo cerca de 60% do investimento, com exigência de manter o serviço ativo por no mínimo quatro anos.
Contexto europeu e legislação portuguesa
Portugal adotou medidas semelhantes em 2025. Segundo o Fundo Ambiental português, ciclomotores, motocicletas, triciclos e quadriciclos elétricos recebem incentivo de 50% do valor de compra, com teto de € 1.500. A medida integra o pacote Mobilidade Verde, com orçamento total de € 13,5 milhões.
Diferentemente de Barcelona, o programa português não exige descarte obrigatório para ciclomotores — apenas para automóveis de passeio, onde o sucateamento de veículo a combustão com mais de 10 anos é condição para receber o incentivo de € 4 mil na compra de carro elétrico.
A legislação portuguesa também contempla bicicletas elétricas (até € 750), bicicletas de carga (até € 1.500) e dispositivos de mobilidade pessoal como patinetes elétricos (até € 500), ampliando o escopo além dos ciclomotores.
Realidade brasileira: mercado cresce, mas sem incentivos diretos
O Brasil ainda não possui um programa federal de subvenção direta na compra de ciclomotores ou motocicletas elétricas, nos moldes de Barcelona ou do Fundo Ambiental de Portugal. Existem iniciativas pontuais — como linhas de crédito para entregadores e incentivos fiscais gerais a veículos elétricos em alguns estados — mas nada específico e estruturado para scooters e motos elétricas de uso urbano.
Dados da Fenabrave apontam crescimento de 346% nas vendas de motocicletas elétricas entre 2021 e 2022, mas a partir de base reduzida. No primeiro trimestre de 2025, as vendas de motos elétricas no Brasil mais do que dobraram, com alta de cerca de 105% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Fenabrave.
Marcas como VMOTO (com o modelo Super Soco CPx), GCX, Watts e Shineray lideram o mercado nacional.
No mercado brasileiro, scooters elétricas custam entre R$ 8.990 (Shineray SE3, com autonomia de 80 km) e R$ 33.990 (Yamaha Neo’s, produzida em Manaus desde janeiro de 2025, com autonomia de 80 km e duas baterias removíveis de lítio).
O Brasil não tem uma política nacional unificada de IPVA para ciclomotores elétricos. A cobrança do imposto é estadual: em vários estados, ciclomotores — elétricos ou a combustão — estão sujeitos ao IPVA com alíquotas reduzidas em relação a motos maiores, enquanto bicicletas e patinetes elétricos seguem isentos.
A infraestrutura de recarga pública para veículos elétricos no Brasil cresceu 182% em 2024, passando de 4,3 mil para 12,1 mil carregadores, mas a rede é voltada majoritariamente para automóveis — estações específicas para troca de baterias de ciclomotores são raras e concentradas em grandes centros urbanos.
Desafios da eletrificação de duas rodas
Enquanto Barcelona aposta na renovação compulsória acelerada via incentivo financeiro, o mercado brasileiro enfrenta desafios distintos: preços elevados (scooters elétricas custam de 2 a 4 vezes mais que equivalentes a combustão), autonomia limitada para uso fora dos centros urbanos e ausência de políticas públicas específicas.
O prefeito Collboni justificou a medida catalã ressaltando que o programa nacional espanhol Moves não contempla ciclomotores, apenas automóveis de passeio — razão pela qual o município decidiu criar linha específica. A medida é voltada especialmente para jovens, proprietários majoritários de ciclomotores de 49 cm³, que “frequentemente não têm recursos para trocar o veículo”, segundo declaração do prefeito.
O programa de Barcelona integra o Plano Climático municipal e conta com apoio do Observatório da Motocicleta, entidade representativa do setor. A expectativa é que a substituição de 20 mil ciclomotores elimine a maior parte das 3 mil toneladas anuais de CO₂ emitidas pela categoria, contribuindo para as metas de descarbonização da cidade até 2030.
Carango Responde!
1. O programa de Barcelona funciona para turistas ou apenas residentes?
O programa é destinado a pessoas residentes em Barcelona e a empresas sediadas no município. Turistas e não residentes não podem solicitar o incentivo.
2. Qual a diferença entre o incentivo catalão e o português?
Barcelona exige descarte obrigatório de ciclomotor a gasolina e oferece € 600 fixos. Portugal oferece até € 1.500 (50% do valor de compra) sem exigir sucateamento de veículo anterior, mas com teto de subsídio.
3. O Brasil tem algum incentivo equivalente para scooters elétricas?
Não há programa federal de subvenção direta como Barcelona ou Portugal. Existem linhas de crédito pontuais para entregadores e alguns incentivos fiscais estaduais gerais para veículos elétricos, mas nada estruturado especificamente para ciclomotores e scooters elétricas.
4. Scooters elétricas pagam IPVA no Brasil?
Em muitos estados, sim. Ciclomotores e scooters elétricas homologadas como veículos automotores entram na base do IPVA, com regras e alíquotas que variam conforme a legislação estadual. Em geral, bicicletas e patinetes elétricos continuam isentos, mas ciclomotores são tratados como motos para fins de imposto.
5. Quanto custa uma scooter elétrica no Brasil comparado à Europa?
No Brasil, os preços variam entre R$ 8.990 e R$ 33.990. Na Europa, ciclomotores elétricos básicos partem de cerca de € 1.600–2.000, com boa parte da oferta entre € 2.500 e € 3.600, antes de subsídios locais — faixa similar à brasileira, mas com maior disponibilidade de incentivos governamentais.
Glossário Automotivo
- 🛵 Ciclomotor: veículo de duas rodas com motor de até 50 cm³ de cilindrada, limitado a 50 km/h. No Brasil, é classificado como categoria “A” restrita na CNH.
- 🔋 Battery-swap (troca de bateria): tecnologia de substituição rápida de baterias em estações dedicadas, eliminando tempo de recarga. Usada por marcas como Gogoro e Silence.
- ⚡ kWh (quilowatt-hora): unidade de capacidade energética das baterias. Ciclomotores elétricos típicos usam baterias entre 1,5 kWh e 3 kWh.
- 🇪🇸 Moves: programa espanhol de incentivos para veículos de baixas emissões, que não contempla ciclomotores — razão do programa municipal de Barcelona.
- 🔌 Bateria removível: sistema que permite retirar a bateria do veículo para recarga em ambiente interno (residência, escritório), evitando necessidade de ponto de recarga fixo na garagem.
Como realizamos esta análise:
- Fontes primárias: sites oficiais da Prefeitura de Barcelona, Fundo Ambiental de Portugal, publicações oficiais do governo português e relatórios da Fenabrave
- Valores de conversão: € 1 = R$ 5,88 (cotação média de novembro de 2025)
- Preços Brasil: consultados em sites oficiais de fabricantes e distribuidores autorizados em 17 de novembro de 2025
- Dados de vendas: Fenabrave (Brasil), ACAP (Portugal) e fontes setoriais europeias
- Atualização: 17 de novembro de 2025
Fontes consultadas:
- Prefeitura de Barcelona
- Fundo Ambiental — Ministério do Ambiente de Portugal
- Fenabrave
- El Nacional, ARA, Via Empresa, Metrópoli Abierta (veículos catalães)
Valores consultados nos sites oficiais das montadoras em 17 de novembro de 2025. Preços sujeitos a alteração sem aviso prévio. Confirme condições, disponibilidade e valores atualizados junto à concessionária.
Incentivos fiscais europeus refletem a legislação vigente em novembro de 2025. Políticas podem ser alteradas por decisão municipal, estadual ou federal. Confirme os incentivos aplicáveis junto aos órgãos oficiais antes da compra.


